terça-feira, 29 de junho de 2010

Reflexão sobre a influência de Montessori, Comenius, Rousseau, Pestalozzi e Froebel na educação


Maria Montessori (1870-1952), foi uma educadora que se destacou pela criação e desenvolvimento de um método educacional e materiais didáticos que inovaram a educação. Sua proposta se baseia na construção do conhecimento centrada no aluno e não no professor, sendo este último apenas um facilitador do conhecimento, observador e estimulador da aprendizagem. O objetivo de seu método é despertar o interesse na criança, através de atividades e materiais pedagógicos que despertem o gosto e o prazer da criança no processo de aprendizagem. A criança é estimulada a agir com liberdade e criatividade e o material adotado possibilita desenvolver na criança o impulso interior que se manifesta no trabalho espontâneo do intelecto. As atividades com os diferentes materiais pedagógicos preconizados por este método possibilitam o desenvolvimento da criança em diversas áreas e faculdades mentais, tais como: inteligência, imaginação criadora, independência biológica, capacidade de iniciativa, raciocínio lógico e matemático, concentração, sensorialidade, coordenação motora, leitura e escrita. Logo, concluímos que seu método procura promover o desenvolvimento da criança em sua totalidade, prezando não apenas aspectos intelectuais.
Jan Amos Comenius, (1592-1670) foi um dos maiores educadores do século XVII, considerado o fundador da Didática Moderna. Educação para todos, abolição de castigos, escola humanista e ativa, aprendizagem global e estimulante, partindo do interesse e da observação - todas estas foram idéias primeiramente teorizadas por Comenius. Defendia a escola como sendo um local primordial na educação do homem, e tinha como princípios a colocação do homem na sociedade como sujeito ativo, e não passivo. Faz uma ligação com ensino, moral e religião. Para Comenius, a melhoria da sociedade está alicerçada no desenvolvimento e disponibilização dos conhecimentos a todos. Se preocupava também com a educação formal de crianças, divulgando a necessidade da criação de escolas maternais. Segundo ele, a aprendizagem se inicia pelos sentidos, sendo que as experiências sensoriais com os objetos são internalizadas e posteriormente, interpretadas pela razão. O método didático proposto por este educador baseia-se em três elementos: compreensão, retenção e práticas, correspondendo a três faculdades, intelecto, vontade e memória.
Jean Jacques Rousseau (1712-1778), foi uma das figuras marcantes do Iluminismo francês. Propôs a liberação do indivíduo, a exaltação da natureza e da atividade criadora e a rebelião contra o formalismo e a civilização. Seu pensamento político estava baseado na idéia da bondade natural do homem. Um dos instrumentos essenciais de sua pedagogia é o da educação natural: voltar a unir natureza e humanidade. A família vista é outro dos elementos centrais de sua pedagogia. De acordo com Rousseau, a educação deveria levar o homem a agir por interesses naturais e não por imposição de regras exteriores e artificiais. Para ele, o homem não se constitui apenas de intelecto, estando presentes também as emoções, os sentidos e os instintos. Rosseau afirmava que a criança deve ser tratada como criança, por isso, a educação deve respeitar a natureza de criança, devendo ser um processo natural e não artificial.
João Pestalozzi (1746-1827) foi um grande educador, adepto da educação pública, que pôs em prática as idéias de Rosseau. Pestalozzi incorporou o afeto à pedagogia, e segundo ele, os sentimentos tinham o poder de despertar o processo de aprendizagem autônoma na criança. Acreditava no aperfeiçoamento e mudança na condição de vida do indivíduo através da educação. A melhor instituição de educação, tendo base para a formação política, moral e religiosa, segundo Pestalozzi era o lar. Para ele, a criança deve ser educada de maneira gradativa, proporcional ao seu desenvolvimento e a educação sensorial é fundamental. O objetivo final do aprendizado deveria ser uma formação intelectual, física e moral. E o método de estudo deveria reduzir-se a seus três elementos mais simples: som, forma e número. Só depois da percepção viria a linguagem. Também defendia a formação específica para os professores.
Frederich Froebel (1782-1852) afirmava que o educando deve ser tratado com liberdade, compreensão e respeito. Para ele, a educação deve basear-se na evolução natural das atividades da criança e o ensino deve buscar a experiência e a prática. Sua proposta pedagógica é caracterizada pela utilização do lúdico no processo de aprendizagem da criança. Froebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo, a atividade lúdica, a aprender o significado da família nas relações humanas. Idealizou recursos sistematizados para as crianças se expressarem: blocos de construção que eram utilizados pelas crianças em suas atividades criadoras, papel, papelão, argila e serragem. O desenho e as atividades que envolvem o movimento e os ritmos eram muito importantes. Para a criança se conhecer, o primeiro passo seria chamar a atenção para os membros de seu próprio corpo, para depois chegar aos movimentos das partes do corpo. Valorizava também a utilização de histórias, mitos, lendas, contos de fadas e fábulas, assim como as excursões e o contato com a natureza; músicas que orientam a rotina escolar (entrada, saída, recreio, lanche, entre outras), rodinha de conversa, brincadeiras ao ar livre, atividades de colagem a partir de figuras geométricas e modelagem. Essas são algumas atividades que seguem a linha froebiana de aprendizagem.

Como podemos observar, embora cada pedagogo e educador analisado apresentam formas próprias de conceber a educação de maneira geral, compartilham também certas concepções e ações. Estas, revolucionaram a educação de maneira geral e por fim, a própria educação musical. Isto pode ser explicado pelo fato de que suas propostas e práticas pedagógicas são sustentadas por conhecimentos referentes tanto à área da música quanto à educação. As práticas propostas por estes pedagogos e educadores são necessários tanto na educação de uma maneira geral, quanto na área da educação musical, onde podemos verificar o desenvolvimento do indivíduo de maneira integralizada. Aspectos preconizados por estes educadores que devemos ressaltar como importantes e que influenciaram a educação de uma maneira geral são: respeito quanto aos mecanismos evolutivos da criança; desenvolvimento integral da criança, não se prendendo somente ao aspecto intelectual, mas também afetivo, físico e moral; a prática e a vivência em determinado aspecto a ser trabalhado, antes da introdução de qualquer linguagem ou conceito; favorecer a criatividade, liberdade e tornar o aprendizado interessante, de maneira que estimule a criança na arte de aprender; aliança entre a família e a escola; a educação vista como um processo natural e não apenas imposta com rígidas regras; incorporação do afeto à pedagogia e o educando é um sujeito ativo também no processo de aprendizagem, e não apenas passivo, como na pedagogia tradicional, onde o professor é o dono da verdade e apenas repassa o conhecimento ao aluno.
Com relação à educação musical, foi influenciada como um todo, de forma específica, pois mesmo a música sendo um domínio especializado, fundamenta-se em conhecimentos derivados do campo da educação. Dentre as propostas preconizadas por estes educadores, ressaltamos não apenas aquelas já citadas anteriormente, que influenciaram profundamente a educação de maneira geral, mas também a utilização do lúdico no processo de aprendizagem; atividades que envolvem o movimento e os ritmos, como podemos verificar na proposta de Froebel; utilização de histórias, fábulas, músicas, brincadeiras ao ar livre; atividades e materiais que despertem o gosto e o prazer no processo de aprendizagem; estímulo à liberdade e criatividade e aprendizagem partindo de experiências sensoriais. Estas são algumas das propostas que influenciaram a educação musical de maneira específica e contribuiu por revolucionar o processo de ensino-aprendizagem, destacando para o fato de que a experiência deve vir em primeiro lugar antes da utilização de símbolos e conceitos, tudo deve ser vivenciado antes. E ainda, o educador passa a ser um facilitador do conhecimento, encorajando os alunos a descobrirem princípios por si próprios através da vivência e da prática, agindo sempre de maneira a estimular seus alunos neste processo ensino–aprendizagem.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



MONTESSORI. Centro de Referência Educacional. Consultoria e Assessoria em Educação. s.d. Disponível em: Acesso em: 21/05/2008

EDUCAÇÃO GERAL. Centro de Referência Educacional. Consultoria e Assessoria em Educação. s.d. Disponível em:
Acesso em: 21/05/2008

NASCIMENTO, Cristiane Valéria Furtado; MORAES, Márcia Andréa Soares. Montessori e as “casas das crianças”. s.d. Disponível em: Acesso em: 22/05/2008

OLIVEIRA, Bernardo Jefferson de. A ciência nas utopias de Campanella, Bacon, Comenius, e Glanvill. Kriterion: Revista de Filosofia, Belo Horizonte, v.43, n.106, dez. 2002 Disponível em: Acesso em: 22/05/2008

SILVA, Aparecida Rosário de Oliveira. Galeria dos grandes mestres. Prefeitura Municipal de Uberaba. Secretaria Municipal de Educação e Cultura. s.d. Disponível em: Acesso em: 22/05/2008

COMENIUS: Leves pinceladas biográficas. Centro de Referência Educacional. Consultoria e Assessoria em Educação. s.d. Disponível em: Acesso em: 21/05/2008

ROSSEAU. Centro de Referência Educacional. Consultoria e Assessoria em Educação. s.d. Disponível em: Acesso em: 21/05/2008

NASCIMENTO, Cristiane Valéria Furtado; MORAES, Márcia Andréa Soares. Pestalozzi e os fundamentos psicológicos da educação. s.d. Disponível em: Acesso em: 22/05/2008

BARROS, Gilda Naécia Maciel. Rosseau e a questão da cidadania. s.d. Disponível em: Acesso em: 21/05/2008

PESTALOZZI. Centro de Referência Educacional. Consultoria e Assessoria em Educação. s.d. Disponível em: Acesso em: 21/05/2008

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